Blog do Lelé


Ping-pong do ela e eu

Ping-pong, ou como dizem os afetados, "tênis de mesa", como quase todos sabem, é um jogo dinâmico, rápido, jogo do toma-lá-dá-cá.
No caso deste meu relato, amigos, "toma" tem tudo a ver. Sigam a "bolinha" com atenção:
 
1) Quem deixou o óleo do carro DELA vencido por 12 mil Km? ELA;
2) Quem levou o carro DELA pra trocar o óleo? EU;
 
1) Quem deixou o pneu do carro DELA mais careca do que eu? ELA;
2) Quem ficou com o carro DELA pra trocar pneu? EU;
 
1) Quem ficou com o MEU carro enquanto isso? ELA;
2) Quem ficou com o carro DELA depois, porque já estava atrasado pro trabalho depois de tudo? EU;
 
1) Quem fez uma casa com garagem pra dois carros? ELA;
2) Quem guardou o carro DELA na garagem quando chegou? EU;
 
1) Quem deixou o MEU carro na rua de janela aberta? ELA;
2) Quem veio trabalhar de carro encharcado hoje? EU.
Cinco sets a zero, como puderam ver...
 
Agora, tem razão ou não o meu amigo Décio, que chama a mulher de "adversária"?


Escrito por Lelé às 19h20
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NEM VOU COBRAR...

VOZ DE MULHER

Meus queridos, apesar do conteúdo às vezes nos fazer sofrer, que beleza a voz da mulher, não é? É... pensando bem, realmente nem sempre é. Tem cada mulher aí com cada voz, que quando me acertam os ouvidos eu fico pensando: coitado do marido dessa criatura. Mas até nessas o que dói mais é o conteúdo. E aquela mania de ficar falando, falando... bom, mas esse é outro assunto.

O que eu vim dizer aqui é que nas sextas-feiras à noite, na rádio CBN, tem um programa chamado Sexta de Música, e tenho notado nele que há entre nós mais uma modinha nefasta. Nem sei que nome tem essa nova praga, mas ela nos tem trazido aos ouvidos dezenas de vozinhas mixuruquinhas, que se disfarçam de MPB bicho-grilo para serem aceitas, imagino, em "jantares inteligentes", como diz o Pondé. Até pouco tempo atrás, logo após a morte da Cássia Eller, eu andava achando que para ser cantora a sujeita haveria de ser lésbica. Cada um com seu cada qual, mas eu não estava entendendo por que motivo a relação entre cantar e trepar estava se tornando tão estreita.

Agora, na esteira de novas cantoras de qualidade como Maria Rita, CéU e Vanessa da Mata, e talvez descendendo diretamente da Adriana Calcanhoto (tenho lá meus senões pra essa, mas é questão pessoal), estão brotando em tudo quanto é boteco uma infinidade de cantorazinhas de vozinhas pequenininhas e cheia de gemidinhos e que cantam baixinho, com arrranjozinhos de violãozinho, umas letrinhas que só falam de "eu e vocezinho"... enfim, "inhas" e "inhos" demais pra um freguês só. Um saco esse lance de ser todo mundo intimista hoje. E todas com entrevistas iguaizinhas, falando tudo certinho, de um "trabalho" que começou há muito tempo (geralmente no ano retrasado). Vamos gostar de mesmice, mas assim é demais!

Sendo assim, se alguém quiser sair um pouco dessa linha "inha", estão estampados acima três discos que abusam da voz da mulher, ou melhor, de mulheres que abusam da voz. O primeiro traz a Elis no festival de jazz de Montreaux, acompanhada de nada mais, nada mais (aqui não há nada de menos), do que Hélio Delmiro, Chico Batera, Hermeto Paschoal, César Camargo Mariano, Luizão e Paulinho Braga. ´"Ah, vá!", dirá você que não acredita na Providência e na excelência da nossa música. E eu digo: está lá, é só conferir. Esbalde-se no gigantismo da voz e dos arranjos dessa moçadinha que arrepiou a França em 1979. É esmagador!

No segundo disco ali, a Claudya, que é uma baita cantora, resolveu se fazer acompanhar pelo Zimbo Trio (só isso?!?!?!), num disco com um repertório escolhido a dedo para evoluções de primeiríssima. Tem Milton, tem Chico, tem Waldir Azevedo, Zequinha de Abreu... tudo de muito bom.

E o terceiro... bom, o terceiro junta a mulherada afinadíssima do Quarteto em Cy para cantar músicas do Chico Buarque. Nem precisa comentar, né?

Permita-se esse prazer. E depois olhe de banda pra certas coisinhas que andam por aí... Como diria a Cássia Eller, "qualé, vai encarar?"

 

Desde que nasci
A voz da mulher
Me embala
Me alegra
Me faz chorar
Me arrepia os cabelos
Me faz dançar
Me cala ressentimentos
Me ensina a amar
Uma mulher cantando nas Antilhas
Uma voz de mulher
Nos rádios do Brasil
Minha mãe que cantava
Lembrança tão bonita
E as negras americanas
Dos hinos e dos blues
Amor, amor
Me leva essa voz
Nas asas das canções
Eu quero ouvir
Por toda minha vida
Uma mulher cantando para mim

Amor, amor
Me leva essa voz
Nas asas das canções
Eu quero ouvir por toda a minha vida
Uma mulher cantando para mim

Voz de Mulher, de Edson Cordeiro



Escrito por Lelé às 11h19
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 Deeepilador de nariz, carimbo de uuuuunha!!!

Deu no New York Times/ A feira de Acari é um sucesso/ Tem de tudo, é um mistério... 

                                                               Jorge Benjor

 

Amigo leitor, você já cumpriu suas obrigações de marido hoje? Não?!?! Ontem eu cumpri. Não, estafermo, não quero saber da sua vida sexual nem quero falar da minha. Que mania esse povo tem de só pensar em sacanagem! E por acaso isso é obrigação, é? Deixa a dona da sua pensão saber disso...

Mas se não vou falar de sacanagem sexual, vou falar de outras sacanagens. O Brasil é mesmo um país engraçado, capaz de deixar de queixo caído quase qualquer estrangeiro, sobretudo o europeu (apesar deles terem ensinado muita coisa). O negócio é que nesse nosso país engraçadinho, engraçadinhos de outros países engraçadinhos criaram uma coisa que se chama 25 de Março (em Sampa) e outras similares espalhadas por aí.

É... mifu mesmo!! Fui à 25 de Março ontem com aquela que está amenizando as minhas contas no Dia do Juízo. Mas, como era final de mês, até que foi tranqüilo (insisto no trema) estar naquele espelho de Brasil. Enquanto ela comprava a rua toda eu aproveitava para observar. E como há coisas para observar ali, não? Que fauna!

Em meio a todo o povo, meus olhos e ouvidos captaram dondocas nordestinas fazendo compras para suas lojas longínqüas (sou teimoso!), coreanos de Land Rover quase atropelando coreanos de carrinhos-de-mão, moças novas, moças velhas (sim, vi trocentas senhoras vestidas de adolescente), travecos do tamanho do Junior Baiano, persistentes senhores de grandes narizes, portadores de tênis dourados, eu... enfim, toda sorte de pessoas sem sorte que têm andar por aquelas ruas imundas. Eu juro que vi um dona com todos os requisitos visuais de uma dama do amor (mal)pago acompanhada de um sujeito (procurem imaginar) baixo e atarracado, com apertadas calças de ginástica, botinas esportivas de alpinismo, um largo camisão cor de laranja, com o pescoço lotado de guias multicoloridas e os cabelos endurecidos por uma tintura que os deixara cor-de-vinho. Fiquei imaginando onde seria a festa àquela hora da manhã...

Dentre essas almas, além dos camelôs, vi muitos e muitos policiais. Alguns a cavalo, outros sem parceiro, mas a rua estava cheia deles. E aí é que achei engraçado: toda essa gente fazendo suas compras sem nota de produtos falsificados e contrabandeados com a segurança da proteção da polícia. Não é demais? Uma ostensiva proteção a quem quer sustentar a contravenção e a quem se sustenta (e enriquece!) com ela? Ao mesmo tempo percebe-se que se não fossem esses "comerciantes", muitas dessas pessoas não poderiam comprar nada e muitas outras ficariam sem empregos. E por causa deles, dizem, muitos outros ficam mesmo sem trabalho. Não é um típica confusão organizada tupiniquim (isso nunca teve trema)? O país que anda gastando os tubos em campanhas contra a pirataria, coloca a polícia na rua para garantir a tranqüilidade desse comércio. Quem está enganando quem?

As cenas são as mais diversas e engraçadas. A desfaçatez é o que mais impressiona e diverte. Uma loja, para anunciar e valorizar seus produtos, colocou a placa "100% original". Viu que beleza?! Um camelô me aborda oferecendo celulares, calculadoras, GPS, notebooks. Vendia-se a Playboy da Cléo Pires e os últimos lançamentos de Hollywood... não tão originais assim, eu acho. São pijamas, brinquedos, calcinhas, panelas, utilidades domésticas, tudo apregoado aos berros nas fuças dos cavalos da polícia. Deeeeepilador de nariz, carimbo de uuuunha!!!

Mas ao contrário de mim, a "puliça" não estava ali apenas para observar e carregar o saco cheio, não. Eu vi, bem diante de mim, ela agir com o rigor e a firmeza necessários, porém sem violência. Coisa civilizada. Quatro meganhas muito bem aparelhados de botas, músculos, armas, dedos em riste e capacetes, atuaram com determinação para mandarem embora dali aquele que poderia conturbar o ambiente, quebrar a tranqüilidade (3 vezes, sim!) e prejudicar os negócios: o homem-estátua! Sim, meu amigo, foi escorraçado dali esse ser nefasto e periculoso. Safado!

E a vida continuou  (pensou que eu fosse dizer "tranqüila", é?) em paz: Deeeeepilador de nariz, carimbo de uuuunha!!!

 



Escrito por Lelé às 11h50
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O CAUSO É O SEGUINTE

Lição de moral

Olhando da mesa do bar para o outro lado da calçada, o amigo suspende o gole, arregala os olhos e cutuca o Olivieirinha:

- Ih, olha lá, rapaz! Aquele sujeito ali não é irmão do Silva lá da repartição?

- O próprio. E a moça é uma vizinha dele. Dezoito anos, mas casada já há uns dois ou três.

- Mas eles estavam ali aos beijos. Que história é essa? Ele também é casado, não é?

- Pois é, não gosto de fofoca, mas a verdade é que o irmão do Silva gosta de menininhas assim novinhas. E faz bem: pra burro velho, capim novo!

- É, estou vendo que o senhor aprova a escolha dele. A moça é mesmo jeitosa. Meio feinha, mas está com tudo no lugar.

- Aprovo pelo porte da morena, que é um biscoitinho, mas desaprovo a conduta. Esse sujeito não respeita a si mesmo.

- Ora, mas o que é isso? Desde quando você é assim moralista?

- Não é questão de moral, mas de amor próprio.

- Amor próprio?!? Mas que catzo? Amor próprio de quem?

- Meu, é claro. Não quero mais saber de mulher casada.

- Porra, pára! Quer dizer que o senhor dispensaria um filezinho daqueles só por ela ser casada? Tudo isso é medo, é? O marido é bravo?

- Diz o Silva que do marido nunca se ouviu um tom acima na voz. Mas quem é que sabe?

- Então... se ela te desse bola você não cairia matando? Ah, só pode ser medo isso.

- Nesse caso não seria medo. É que não daria mesmo certo. E eu jamais aceitaria isso. O sujeito que se torna amante de uma mulher casada nada mais é do que um corno assumido!

- Epa, epa! Mas como é que é isso, meu filho? Como corno?!?

- Corno sim senhor! Afinal, ele se entrega a uma mulher sabendo que ela tem outro?! Que negócio é esse se não cornice mansa e assumida?

- Uai, e o corno, no caso, não é o marido, não?

- Ai, ai, ai, ai, ai... Aprenda a analisar os fatos. Se ela tem um amante, é porque não é do marido que ela gosta. E se ela se arrisca, é porque
gosta do amante. Então, se ela gosta do amante e dá para o marido, quem é o corno? Faça aí as contas!

- Ah, mas aí é cumprimento do dever... E se o marido não comparece, como é que fica essa sua conversa?

- Se o marido não comparece é ainda pior! O amante passa a ser corneado por um brocha! E o senhr há de se convir que é preciso muita falta de vergonha na cara, muita falta de amor próprio, para ser corneado por um brocha, não? Ou o bonitão aí deixaria a sua mulher dormir na cama com outro mesmo ele sendo inofensivo?

- Espera! O marido pode não ser brocha. Pode apenas não estar mais interessado na moça.

- Vê que lástima?! Se nem o marido quer mais, vou tomar chifre de uma criatura dessas?

Uma pausa de urgência faz o amigo cortar o diálogo:

- Puta que o pariu! Ô, Severino, quer me matar de sede, meu filho? Traga mais uma aqui!

E voltando-se novamente ao seu interlocutor (o Oliveirinha nunca foi chamado de um nome tão bonito), contemporiza ainda incrédulo:

- Ô, ô, Oliveirinha, vamos falar sério. Deixa de ser teimoso, rapaz! De repente nem o marido, nem o amante, nem a mulher estão aí pra esse negócio de gostar, está me entendendo? Sejamos práticos. Pense bem: os dois amantes podem se dar ao desfrute sem ter que levar aquela vida de contas a pagar, etc. e tal, e o marido pode até estar se dando bem. É! A moça satisfeita não lhe perturba a paciência, não faz perguntas, não liga pra onde ele vai... O cara está podendo jogar futebol, chegar tarde em casa... vá saber? É capaz até dela lhe fazer agrados, bolinhos... Quem sabe até ele tem outra, ali bem nas narinas dela e ela nem aí, por que não?

- Mais um motivo para eu querer distância dessa gentinha. Sou um romântico!

- Romântico? O senhor?!? Essa é boa... Mas então me diz, e essa pernudinha de shortinho apertado aí na mesa ao lado, hein? Tá quase falando a coisinha dela... Vai ser romântico?

Medindo a moça de cima a baixo, o Oliveirinha sorri, alisa a barriga e fala alto, sem levantar os olhos:

- Ô, Severino, me traz aqui um pastel qualquer que o que eu quero você não tem. Mas o bolinho tem que ser de bacalhau!! 



Escrito por Lelé às 21h49
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DICA DE LEITURA

Eu não sei se os senhores já ouviram falar da Revista Piauí, mas deveriam. Parte do conteúdo está sempre disponível no óbvio www.revistapiaui.com.br , mas é pra quem gosta de ler, seus preguiçosos duma figa!

E pra quem gosta de ler e de boa diversão, tiro da edição de junho último o longo e fantástico texto de Reinaldo Moraes, com ilustrações de Angeli, sobre o Pecado Original. É, é... leiam aos poucos, se for o caso, mas leiam, que é garantido.

 

Cliquem aqui (http://www.revistapiaui.com.br/edicao_45/artigo_1325/Prevaricacoes_primevas.aspx) e boa leitura, irmãos!

 



Escrito por Lelé às 21h33
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Mas a filosofia hoje me auxilia (Noel Rosa)

Aristotelices de botequim

(ou Do breaquismo aristotélico)

(Abrindo outra...)

Nos tempos de Platão havia botequins? Não sei dizer, mas sei que há muito os botequins estão repletos de Platões de plantão (não me lembro do nome da figura de linguagem que trata dessa enrolação de língua toda aí).

Eu, que desde moço freqüentei essa rica fonte de sabedoria popular (hoje menos do que gostaria, mais do que deveria, mas ainda tanto quanto posso), sempre absorvi muito (termo bastante apropriado ao caso, hein?!) dessas aristotelices breaquistas ditas quase sempre de cotovelos apoiados e copo rente à testa. Nos bons tempos, o cenário incluía faces envoltas em bruma nicotínica, o que hoje se proibiu até a quem não liga a mínima para isso.

O Oliveirinha, por exemplo, grande companheiro de copo e mestre da arte da palavra ao léu, enquanto conseguia falar era capaz de dizer coisas memoráveis. Adoraria me lembrar de alguma para citar aqui.

Mas o caso é que resolvi fazer um apanhado não de frases de botequim, porque aí a coisa fica muito à sombra de Nelson Rodrigues. Ele, que não bebia, mas que sempre tomava um cafezinho no boteco, foi frasista muito profícuo como se pôde (e ainda se pode) ler neste blog há alguns posts. Não... eu me ocupei de raciocínios da mais pura lógica etílico-filosófica. Procurei me ater àquela bela capacidade que tem o álcool de tornar tudo muito mais claro à mente e embaçado à vista, antes de escurecer ambas por completo. Pesquisei e coloquei a seguir uma série de exemplos notáveis da matemática verborrágica breaquista.

Se você prefere entrar mesmo no clima, pare aqui e encha a cara. Depois peça para alguém ler para você. Ou comece a beber e daqui a pouco volte a ler. Vai lendo e bebendo. Preocupei-me em não deixar o texto longo. A intenção é que ele seja apenas um impulso à sua mente até então infértil, desértica, sedenta...

Pronto? Comecemos então com aquela que nos redime, seu pinguço:

 

Quando bebemos, ficamos bêbados.

Quando estamos bêbados, dormimos.

Quando dormimos, não cometemos pecados.

Quando não cometemos pecados, vamos para o Céu.

Então, vamos beber para ir pro Céu!

 

Viram? Amém! Amém a nós todos! Brilhante, não? Simples, direta, cirúrgica capacidade de síntese do ébrio criador de tal peça sacrossanta. Um chamado celeste ao bar. Uma razão. Dentro dessa busca do divino, do supremo, outro Sócrates de nossos bares cunhou, de calcanhares largados embaixo da mesa:

Deus é amor.

O amor é cego.

Steve Wonder é cego.

Logo, Steve Wonder é Deus.

 

Tais pensamentos nos remetem a uma reflexão sobre a nossa própria existência, sobre o que estamos fazendo aqui, o que somos, de onde viemos, como é que vamos voltar pra casa dirigindo, quem vai pagar a conta... O que é a felicidade, percebe?

Nada é melhor que a felicidade eterna.

Um tomate já é melhor do que nada.

Logo, um tomate é melhor que a felicidade eterna.

 

Pomarólico! Quetichúpico! E como o breaquismo é generoso! Democrático e sem preconceitos, não é só da cachaça e da cerveja de um boteco de esquina que emanam luminosidades como essas. Deve-se inferir, por exemplo, que uma noitada de fondue tenha inspirado a obra seguinte. Imagino o sujeito observando a mesa, taça quase vazia na mão, a recitar essas frases, varado de luz como um santo de vitral (isso, sim, é Nelson Rodrigues):

 

Vejam esse queijo suíço.

Dizem que este queijo é aquele que tem o maior número de buracos.

Quanto mais queijo, mais buracos.

Entretanto, se levarmos em consideração que os buracos ocupam o lugar onde deveria ter queijo, quanto mais buracos, menos queijo.

Se quanto mais queijo mais buracos e quanto mais buracos menos queijo, logo quanto mais queijo, menos queijo!

 

Fantástico! Irrefutável!

Mas eis que aos filósofos não faltam os que lhe perturbam a paz, os que lhes confrontam as idéias, o que é salutar, mas os, e principalmente as, que lhes combatem as fontes das idéias. Essas, meu querido, vêm com argumentos recheados da mais obtusa ciência objetiva e do mais hipócrita moralismo. Dietas, saúde, horários, responsabilidades, enobrecimentos conquistados à custa de atividades regulares remuneradas e blá, blá, blá... A elas o breaquismo aristotélico reage célere, colérico, dedo em riste. Cambaleante e voltando a sentar-se, olhar absorto, sim, mas indignado.

 

As pessoas que querem emagrecer fazem dietas.

As dietas recomendam o consumo de verduras e peixe.

Ora, elefantes comem verduras e baleias comem peixe.

Assim, quem faz dieta engorda!

Ou

Hoje em dia, os trabalhadores não têm tempo pra nada.

Já os vagabundos têm todo tempo do mundo.

Tempo é dinheiro.

Logo, os vagabundos ganharão mais dinheiro do que os trabalhadores.

 

E a isso algumas virão vociferar nos meus ouvidos, defendendo-se, colocando-se como defensoras do bem-estar de seus parceiros, de seus lares, de seus narizes e ouvidos. Outras se julgam à parte deste cenário. Posam de liberais, compreensivas e apresentam a armadilha da contraditória liberdade controlada. Soltam a que talvez seja a pior das blasfêmias, ou das bobagens mesmo: “Toda regra tem uma exceção”. Ora, meu amigo,

 

Toda regra tem exceção.

Isto é uma regra.

Logo, deveria ter exceção.

Portanto, nem toda regra tem exceção.

Devo parar por aqui? É demais para você? Vai ignorar os fatos só porque tais artistas do raciocínio de alta graduação alcoólica não se preocupam com a fama e, por isso, estão perdidos e livres, pelos bares da vida? Cegou-lhe todo esse brilhantismo?

Disseram-me que eu sou ninguém.

Ninguém é perfeito.

Logo, eu sou perfeito.

Mas só Deus é perfeito.

Portanto, eu sou Deus.

Se Steve Wonder é Deus, eu sou Steve Wonder!

Vixe... Melhor fechar a conta... 

 



Escrito por Lelé às 12h04
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Ao Heitor... dos Prazeres

Mamonas Assassinas X Torradas Insaciáveis?!?

 

Sempre achei mais interessante o nome do que a banda Mamonas Assassinas. Grande sucesso dos anos 90, a moçada era mesmo engraçada, animada e tal, mas era um tanto boboca demais, infantil demais, sei lá... Gosto não se discute, certo? Só lamento o seu, que torceu o nariz agora.

O nome Mamonas Assassinas tinha para mim um quê de intrigante porque eu ficava imaginando o tamanho daquelas mamonas. Seriam capazes de afogar o cidadão? Sim, a capa do disco deixava claro que não se tratava do vegetal mamona (Ricinus communis), mas de grandes mamas. Todavia eu nunca soube, nem procurei saber, porque seriam elas assassinas. E toda essa reflexão nunca me tomou mais do que o tempo de um gole.

Mas hoje pela manhã, como relatei a um grupo de amigos à tarde, estava eu entre um gole ou outro (de café!!!) quando me deparei com a embalagem retratada acima. Bom, como é fácil notar, o péssimo texto da caixinha divide-se em três parágrafos. Analisemo-lo (como eu não acredito que nem o Jânio diria):

 

1) "Descubra os prazeres e sensações que só a Torrada Bauducco pode te dar"

Eu, sinceramente, tomei ali o primeiro susto porque simplesmente não consegui imaginar como uma torradinha, um pão seco, pode dar prazeres e sensações assim tão exclusivas, memoráveis e comemoráveis. Para mim, o que sempre deu sabor a uma torradinha fora o patê, o requeijão, a geléia... Mas esse é um texto publicitário e o "Descubra" é justamente o vocativo para que o consumidor intrigado, mas lascivo, se entregue aos prazeres e sensações do produto ofertado e, assim, abrir mão de seu suado dim-dim. Mas há o segundo parágrafo que já nos dá uma dica:

 

2) "Leve e Gostosa, nada se compara à mordida crocante e irresistível de uma torrada Bauducco". ("Leve e Gostosa" com letras maiúsculas?!?!? Será uma dupla porno-sertaneja feminina politicamente correta?!?)

Ora, ora... aí sim temos uma grande surpresa!! Eu sempre achei que quem mordesse as torradas fossem as pessoas, e não o contrário. No que me pareceria normal, as mordidas EM uma torradinha é que poderiam ser irresistíveis e tal, porém o texto é claro: "mordida crocante e irresistível DE uma torrada Bauducco". Ah, podem residir aí os prazeres e sensações aos quais se refere o primeiro parágrafo. Pude imaginar então um sujeito colocando uma torradinha na zona erógena de sua preferência, ou uma dona de casa com torradinhas enfiadas em partes pudentas, todos dominados por delírios do mais pervertido, e por isso mesmo inimaginável (daí o "Descubra"?), prazer! Aquelas torradinhas mordiscando mamilos, bumbuns, lóbulos, dobrinhas... uau!!!

E foi então que só no terceiro parágrafo desvendei todo o mistério que se abateu sobre mim no início da leitura da embalagem. Veja aí...

 

3) E o melhor... nunca uma é igual a outra

Percebe então que a coisa é mesmo na base da perversão sexual? Da promiscuidade?? Porque não vamos imaginar que as torradinhas tenham sido feitas uma a uma e colocadas no saquinho que estava dentro da caixa da Bauducco. Isso não seria mais indústria, industrial. Sendo assim, essa parte do texto deve ter sido elaborada apenas para despertar de vez a libido das probas mamães de família que perambulam pelos mercados muitas vezes queixosas de seus maridos nas artes da alcova, quem sabe? É um público alvo. Sempre foi. Ou de solteirões tímidos que sempre se sonharam como galãs da bala Chita, como verdadeiros garanhões irresistíveis a quem as mulheres se entregam ofegantes... hã? É... É de se pensar, não?

Pois... Na verdade, isso não esfriou o meu café, mas me fez esquecer de passar geléia na torradinha que dei à minha filha... e só quando ela reclamou foi que reagi.

- Epa, menina, tire a mão dessa torradinha sem-vergonha!!!



Escrito por Lelé às 22h39
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Vai aí?

Coisa de anjo ou de demônio?

Pois é, meus queridos, essa é uma pergunta que vem sempre à minha mente, e sobre a qual sempre procuro refletir, principalmente quando me deparo com algo como o Almanaque Café, bar recém inaugurado em Barão Geraldo, Campinas.

Ora, convenhamos... colocar um bar muito bem montado, com cervejas nacionais e importadas da melhor qualidade (há muito a maioria das cervejas nacionais perdeu sabor para ganhar mercado. Isso, sim, é coisa do demônio!!), inclusive com máquinas da Guiness, New Castle, Old Speckled Hen, Erdinger e HB, num lugar super amplo, bem decorado e com excelente música é uma obra que deve nos fazer pensar na entidade que a concebeu. Terá sido um anjo do Senhor? Terá sido o próprio Lúcifer? Porque esse lugar existe, compañeros de mi vida, e está aqui, ao lado do meu trabalho. Sim, eu sei que já existe um monte de lugares como esse por aí, mas ao lado da Unicamp?!?!?! Pode isso?!?!? De quem foi essa idéia?!?!? Bendita ou maldita?!?!?! 

O amigo Xicão me liga e avisa: "meu filho, estou num bar aqui que você vai gostar. Venha para cá, que eu explico". Eu, como a providência ordenara, estava justamente saindo para o meu horariozinho de jantar, pensativo sobre onde iria, já que dentro da Unicamp as lanchonetes já estavam fechadas... e me vem essa voz do além (celular). Vejam vocês! Mas sou bom amigo, companheiro leal de copo. Não faria uma desfeita dessas a um cidadão tão prestimoso, tão preocupado com o meu bem-estar. Fui corrrendo ver o que era.

Deixo o carro no estacionamento (a obra, seja do cramulhão, seja divina, é completa!) e, devidamente cumprimentado por duas belas hostess, encontro o caboclo sentado de frente para o palco. Sim, cavalheiros, damas, e nem tanto: o lugar tem um pequeno, mas bom palco, e lá estavam uma bateria, um teclado e dois trompetes. Bom sinal!!

Cumprimento meu amigo e embasbaco-me (sim, isso mesmo!!) ao ver aquelas bombas no balcão (a foto abaixo não é de lá, mas é quase igual). Foi de arrasar o coração! Que tremenda felicidade! Mas aí vem de novo a dúvida: coisa do capeta? Coisa divina? Porque é caro... caro à beça! Mas é bom... bom à beça! Sinceramente? Se o orçamento permitir, é o lugar. Se não permitir, é o lugar também, mas menos, uai... Fazer o quê?

 

O lugar é decorado com fotos de grandes músicos e artistas, cenas famosas do cinema, capas de discos obrigatórios e tal, tem mesas numa varanda coberta e, dentro, em dois níveis com ar-condicionado. Perfeito! A música é jazz, Cartola, Chico... só coisa boa.

Então, nenéns, o jeito é mesmo ir até lá conferir. Aos amigos de fora, aviso que estou à disposição como guia turístico-etílico-beliscativo. Aos daqui da região, sinto-me quase no dever de acompanhá-los se assim for a demanda. Aí os senhores e as senhoras poderão me dizer afinal, de quem foi a idéia de colocar esse troço ao lado do meu trabalho. Amém!

Obs.: como eu até falo "uai", mas não sou mineiro, convido mas dou o endereço: Av. Albino José Barbosa de Oliveira, 1240 - Barão Geraldo, Campinas. A casa aceita reserva de mesas: (19) 3289-0619.

 

 



Escrito por Lelé às 14h36
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PÉ NA ESTRADA

Férias, senhoras e senhores... férias!!

Isso pra quem tem filho pequeno pode significar muita coisa, inclusive nada, mas o fato é que a maioria vai viajar por aí, nem que seja para encarar um peru (ui!). Estou falando sobre o do Natal, cambada. E não, Natal não é ninguém que eu conheça. Estou me referindo àquele do Papai Noel e tal... Não, não ao peru do Papai Noel, mas ao Natal que tem Papai Noel, bolinhas... iiiihhhh.

Enfim, nessa época de festas de final de ano e férias, muita gente pega seu carro com família, amigos, namorada(o)s e afins e sai pelas estradas. E aí rola um perigo. Não, não vou dizer para vocês fazerem revisões de freios, que a DPaschoal já está por aí enchendo o mundo de propagandas a respeito. Mas a minha preocupação é: o que ouvir quando estamos todos trancados juntos num carro? Será que aquele pagode infernal atende a todas as exigências? Será que aquele sertanojo não vai lhe custar um abandono familiar ad eternum ou um merecido pé-na-bunda? Sua namorada não vai querer dar pro seu melhor amigo só de raiva?

Então, pra quem não quer arriscar a diversão, e lembrando da lendária rota 66, que cruza os estêites, aconselho os viajantes a levarem em seus embornais CDs ou outras forma de gravação quaisquer que contenham muito blues, rithm & blues e rock, que eu não sei quem foi que disse que verão combina só com batuque. É o melhor som pra ouvir na estrada, principalmente se o trânsito estiver fluindo bem. Aí vai combinar com o som.

Nesses casos, as sugestões são: o ótimo "The Road to Escondido", de J. J. Cale (autor da lendária Cocaine) e Eric Clapton (que tornou Cocaine lendária). O disco mistura bem o blues e o country americano e outras nuances quetais, e é o CD que anda rolando lá no meu velho tape do carro. Muito legal de ouvir, sem solos intermináveis (é o Clapton, não o Malmsteen) e uma pegada super bem cadenciada. Cuidado só pra abaixar o braço que segura a latinha enquanto passar na frente da polícia rodoviária.

O viajante amigo pode levar também qualquer coisa do ZZ Top, banda desconhecida de boa parte Campinas, principalmente daquela que pisca o olho e gosta de repetir as mesmas brincadeiras sempre. Independente de conhecer ou não, é certo que você vai gostar, então pode pegar qualquer um. Se insistir na dúvida, pegue um lá do início dos anos 80.

Canned Heat é uma banda dos anos 60, meio hipongona, que faz um som bem blues, bem estradeiro. O disco que coloquei aí na ilustração é um que eu tenho. A capa fala por si. Som 10! Muita influência de Muddy Waters, John Lee Hooker e outros feras, mas com uma levada mais parecida com os Yardbirds (outra sugestão) na época do Clapton. Aliás, bandinha boa essa, não? Teve os seguintes guitarristas, em seqüência, em seus quadros: Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck, não exatamente nessa mesma ordem.

E já que falamos em feras do blues, Robert Cray também é uma boa pra quem gosta de um blues mais leve e menos virtuoso, e ele pode estar sozinho ou no disco abaixo, Showdown, que eu tenho em vinil. Disco super balançado, mas com um pouco mais de guitarra por conta de Albert Collins e Johnny Copeland. Já Steve Ray Vaughan, outro com a cara da estrada, tem esse genial Texas Flood. Quem estréia com um disco desse merece o céu, onde não creio que SRV esteja. Esse som já é mais indicado pra as ultrapassagens e momentos de pé embaixo, que podem ter também o Deep Purple tocando Highway Star ou The Truck, mas para isso já é preciso ter motor e detector de radar.

              

Chegando à praia, se estiver numa que seja decente e não te faça encarar aquela farofa regada à Itaipava quente e pagode (lembrem-se: nesses casos deveríamos ter direito a usar um lança-chamas), os amigos podem ouvir algum Reggae (não muito, que enche!) e, por exemplo, esse CDzinho acima aí, do Police, o "Regatta de Blanc". Combina com o ambiente, com a disposição e com cerveja. Curtição sossegada e garantida.

E à noite, meus filhos, é sempre bom um jazzinho e uma bossa nova pra sossegar, pra acompanhar o uisquinho e pra acalmar as queimaduras.

Boa viagem!



Escrito por Lelé às 11h41
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PARA LER E GUARDAR. Ou consultar de vez em quando...

Frases de Nelson Rodrigues

Caríssimos, convido os senhores a refletirem com a ajuda do Anjo Pornográfico. E lembrem-se: o mineiro só é solidário no câncer!!

 

Só o inimigo não trai nunca.

Deus está nas coincidências.

O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes.

Invejo a burrice, porque é eterna.

Nem todas mulheres gostam de apanhar, só as normais.

Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.

Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...

Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.

Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar com batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um São Francisco de Assis, com luva de borracha e um passarinho em cada ombro.

A liberdade é mais importante do que o pão.

A plateia só é respeitosa quando não está a entender nada.

O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.

Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de ouro.

Não existe família sem adúltera.

O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É abjeto que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos.

Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.

Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las.

Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé

As vaias são os aplausos dos desanimados.

O dinheiro compra tudo, até o amor verdadeiro.

As grandes convivências estão a um milímetro do tédio.

Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.

A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.

O sábado é uma ilusão.

O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da inexperiência.

Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas.



Escrito por Lelé às 19h10
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PESQUISA DE OPINIÃO

Leiam e respondam, por favor, segundo as opções.

O que está errado nesse comercial:

o carro não ter placa ou não ter o retrovisor externo do lado do passageiro?

 



Escrito por Lelé às 15h13
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HISTÓRIA

Qual seria a nacionalidade de Jesus?

A) Três evidências de que Jesus seria judeu:
1 - Assumiu os negócios do pai;
2 - Viveu em casa até os 33 anos;
3 - Tinha certeza de que a mãe era virgem, e a mãe tinha certeza de que ele era Deus.


B) Três evidências de que Jesus seria irlandês:
1 - Nunca foi casado;

2 - Nunca teve emprego fixo;
3 - O último pedido dele foi uma bebida.
 
C) Três evidências de que Jesus seria italiano:
1 - Falava com as mãos;
2 - Tomava vinho em todas as refeições;
3 - A mulher mais importante da sua vida era a mamma.

 
D) Três evidências de que Jesus seria californiano:
 1 - Nunca cortou o cabelo (hippie)
 2 - Andava descalço (hippie)
 3 - Inventou uma nova religião (hippie)
 
E) Três evidências de que Jesus seria francês:
1 - Nunca trocava de roupa;
2 - Não lavava os pés;
3 - Não falava inglês.

 

F) Três evidências de que Jesus seria brasileiro:
1 - Nunca tinha dinheiro;
2 - Vivia fazendo milagres;
3 - Se ferrou na mão do governo.

Assim...não é possível chegar a um consenso sobre a nacionalidade de Jesus.
Mas quanto à Judas... é unânime a certeza de que era argentino.

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!

 



Escrito por Lelé às 20h49
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SERVIÇO DE REGOZIJO PÚBLICO

De buque izon de têibou!

Acabo de receber um e-mail do Paulo Vella, lá da UNESP de São Vicente, divulgando o Domínio Público. Vocês sabem o que é isso? Eu imaginava que não...

Trata-se de um portal do governo federal, que disponibiliza centenas de obras literárias e artísticas gratuitamente. Tem livros, música erudita brasileira em MP3, poemas, teses... Um bom acervo que inclui Machado de Assis, Gregório de Matos, Rimbaud, Pero Vaz de Caminha (a carta!!!), Voltaire, Júlio Verne, Fernando Pessoa, Shakespeare, Dante, Aristóteles, Balzac, Lima Barreto, Saramago, Carlos Gomes, Kafka, Florbela Espanca, Leopoldo Miguez, Euclides da Cunha... vixe!!! Uma pá de gente boa! Um monte de clássicos! Tudo pra gente baixar, imprimir, ouvir, ler, estudar, mandar pros outros. Enfim, agora a desculpa tem que ser outra. Anotem aí o endereço: http://www.dominiopublico.gov.br . E ajudem a divulgar também.

Tânquis!!



Escrito por Lelé às 18h19
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Eu odeio essa Argentalha!!

   

Meus amigos, descrevo agora o que acaba de me ocorrer como o melhor dos mundos, futebolísticamente falando. Uma visão que tive do paraíso talvez...
 
Às 19h30 sou dispensado do trabalho para ir ao boteco assistir Paraguai X Argentina às 8 e Brasil X Chile às 10.
 
Para abreviar o texto, segue a narração a partir de um determinado momento:
 
[...] torcida cantando...
- Cinco minutos para o final da partida no Defensores del Chaco... 0 X 0 Paraguai e Argentina.... jogo histórico em Assunción... escanteio para o Paraguai... Messi continua caído no gramado... Continua chorando, fulano?
 
- Continua, Milton. E não é pra menos, né? Ele acaba de bater o recorde de Palermo. Perdeu quatro pênaltis na mesma partida. Não é mole não, Milton!
 
- Éééé... num jogo desses... Mas e o Maradona, tá melhor?
 
- Continua sem poder sentar, mas já fizeram um cortininha com uma toalha, Milton. Papelããão, hein!!
 
- Messi se levanta, mas continua chorando... Cabañas autorizado para bater o escanteio... bola na áááááárea... Olha a confusão!!!! Mascherano.... Gooooooooool!!! Gol do Paraguai!!!! Mascherano contra!!! Mas o que é que é isso, fulano?!?!!? O que é que o Mascherano fez???
 
- Milton, o Mascherano achou que a bola era uma canela e meteu o pé pro lado que o nariz estava virado. Só que pegou de joanete nela e olha o resultado: ela foi direto no ângulo do seu próprio gol. Maradona caído, Milton!!!
 
- Ééééé... que beleeeza! 1 X 0 Paraguai! Faltando menos de 4 minutos pro encerramento da partida. Será que teremos acréscimos, fulano?
 
- Sim, sim, Milton, o árbitro sinalizou que vai dar desconto de dez minutos devido aos pênaltis e ao cartão amarelo para o Messi na última cobrança. Merecido, né, Milton?
 
- Merecido, sim, fulano. Bateu lá longe. Maltratou a bola. O juizão perdeu a paciência...
 
- Cabanãs caído, Milton!
 
- Foi atingido, fulano? A câmera não pegou...
 
- Não, não, Milton. O problema é que Cabañas não pára de rir do Mascherano...
 
[...]
 
- Apita o árbitro! Final de partida no estádio Defensores del Chaco em Assunção do Paraguai. Paraguai 3, Argentina 0. Dois belos gols de Cabañas nos descontos decretaram números finais ao espetáculo. Maradona ainda no oxigênio, fulano?
 
- Ah, não sei se aquilo é oxigênio, não, Milton. Mas o Cabanãs parece que foi atingido por gás hilariante. Messi e Mascherano continuam protegidos pela polícia, mas agora seus companheiros já voltaram para os vestiários.
 
[...]
 
- Final de jogo em Salvador. Em ritmo de treino o Chile bate o Brasil por 8 a zero. Mas o que é isso, Abel?
 
- Galvão, ao final da partida, Dunga resolveu passear com seus seis perus de estimação: Quiroga, Chumpitáz, Oblitas, Cueto, Cubillas e Manzo.
 
- Éééé, amigo... Peru pra Argentina!!


Escrito por Lelé às 20h15
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POP CORN

 

Pois é, pessoinhas (será que há ofensa maior do que essa da Hebe?), há sempre por aí essa discussão sobre o som ser pop, e se é pop é porque é palatável à patuléia acéfala, desinformada, etc. e tal, Juvenal (ainda vou ter um bulldog com esse nome!).

A verdade é que a maioria das pessoas gosta mesmo de músicas mais simples, fáceis de serem decoradas, cantadas, assobiadas (assoviar já é meio viadagem), e não acho isso errado. Só acho qua andam exagerando. Culpa da MTV, do Peter Frampton ou do Tiririca, o fato é que a coisa anda numa miséria de fazer inveja ao Francisco lá de Assis. Ninguém precisa tocar mais nada, ninguém precisa escrever mais nada... a inanição total. Já tivemos até música sem letra que não era instrumental!

Ora, sabemos quase todos (quase, porque tem gente que não conhece nem o ZZ Top), que o Pop pode oferecer muito mais qualidade, mesmo continuando popular. São muitos os casos, além dos dois exemplos acima.

O Supertramp era um pop que flertava com o rock progressivo e até raspava no jazz. Melodias bonitas e fáceis de lembrar, mas com arranjos cheios de pianos, sopros e solos. Sem serem virtuoses, os caras procuravam caprichar e, como era o normal até meados dos anos 80, queriam fazer um som próprio, com assinatura. Boas ou ruins, as bandas daqueles tempos queriam ter uma cara própria, serem inconfundíveis. O máximo de proximidade devia-se às influências, não à massificação. O Supertramp tem muita coisa fraquinha, muitos erros de direção, mas deixou (nem sei se ainda andam por aí) muitas coisas antológicas, que a gente se pega assobiando de vez em quando.

Em 1987, como os cavalheiros e as damas podem ver (e vocês também podem!) no ingressinho que o papai aqui guardou, aterrizou em terras tupiniquins o senhor Gordon Sumner, vulgo Sting, com algo que parecia uma redenção. Foi a última vez em que eu tive um pouco de esperança quanto ao Pop. O ex-Police juntou uns feras do jazz e os fez tocar músicas da sua antiga banda e de seus novos discos. Foi demais! Saiu um jazz super dançante, um pop sem miséria. Mas infelizmente foi só um suspiro... um traque... Apesar do estrondoso sucesso daqueles dias, Sting não aguentou a parada (talvez tenha sido mesmo um projeto isolado, porque aquele time devia ser bem caro) e preferiu fazer outros disquinhos menos inspirados e ficar de papo com o Raoni. Mas valeu! Provou-se ali que a música pode ser popular sem ser pobre. Como já nos mostravam nossos Chicos, Tons, Caetanos e outros.

Bom, agora volto às latinhas que antecedem o almoço.

 



Escrito por Lelé às 12h41
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